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  Devanios



Isso não é uma resposta

Tenho tido um ímpeto diário de escrita. Tanto melhor para quem entra aqui e gosta de ler esses posts.

Pensando sobre essa vontade súbita de dizer coisas, cheguei a algumas possíveis causas disso tudo:

1) Nunca, em toda existência desse espaço, recebi tantas mensagens, elogios, atenção, de pessoas desconhecidas! Acredito que isso gerou em mim um certo orgulho de ter criado essa criaturinha, que é uma parte tão intrigante de mim mesma. Foi uma bela massagem no meu narcisismo, devo confessar. Espero que isso não influa negativamente na sinceridade e espontaneidade com que venho escrevendo, pois até então, não tinha intenção de agradar a ninguém, bastava o que era dito e ponto!

2)Estou vivendo um momento de reorganização subjetiva, de descobertas, me sinto um pouco como uma criança que começa a andar sem a ajuda de um adulto, mas que vez por outra precisa de uma mão sustentadora, de um braço de poltrona onde se apoiar. As palavras tem brotado em jatos, na tentativa de dar conta desse novo mundo que venho explorando.

3)Ociosidade: agora que sou uma psicóloga semi-desempregada, o que me resta senão falar? Eu podia estar roubando, podia estar matando, mas estou aqui, escrevendo....

Será que algum dia chegarei à causa última de todos meus dizeres???

Não sei nem se isso é uma questão importante...

O que me importa agora é criar, gerar, sem saber exatamente o que essas palavras provocam em outras almas, outras criaturinhas que, como eu, foram lançadas nesse mundo sem mais nem por quê... Quantas histórias estão escondidas por trás desses nomes incógnitos que deixam suas sementes por aqui?

Isso tudo não é absurdo?

Eis que estou diante de uma máquina, um objeto, um nada que se relaciona comigo repetindo todos os gestos que meu dedo impõe sobre suas teclas. Para quê essas palavras todas? O que serão delas dentro de alguns anos, quando tudo virar pó?

 



Escrito por Ani às 13:43:03
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Isso não é um cachimbo

 

Por isso, não levem tão a sério minhas confissões...

De que servem, se não para serem postas para fora

e irem embora, um segundo depois?

Eu já não sou a mesma a cada linha que escrevo. Em cada entrelinha estão guardados os silêncios que dizem mais de mim do que essa enxurrada de palavras!

As palavras também dizem de mim, claro, mas de um "mim" efêmero, mutante, embora algo dele sempre permaneça - e essa permanência é todo esse espaço vazio.

Um poeta de outrora disse que todo poeta é um fingidor, finge sentir a dor que deveras sente.

Algo mais verdadeiro e sincero do que isso?

Toda palavra é mentira, por mais verdadeira que seja! Nenhuma palavra é a coisa em si, e eu poderia escrever AMOR SAL GATO CHUVA e não querer dizer nada com isso.... Essas palavras se equivalem, e nenhuma delas comporta em si a dor do amor, o gosto do sal, o miado do gato, o molhado da chuva.

O texto é um retrato da vida, ou seja, é a vida capturada, a vida em duas dimensões, e não a própria vida.

Por quê escrevo? Simplesmente porque às vezes é imperativo dizer, não sei exatamente por quê, mas é.... Fazer um retrato da alma, de modo a olhá-la "de fora" e poder rir um pouco de suas mazelas.

 



Escrito por Ani às 00:01:51
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Sobre a impossível separação

 

Quando amamos o ser amado passa a fazer parte de nós mesmos. É uma presença na ausência, um preenchimento, ainda que fictício, de um espaço que guardamos em nós para os encontros que promovemos na vida.

Quando esse espaço é preenchido de sonhos e ilusões em sua maior parte (pois é certo de que ele sempre será preenchido por sonhos e ilusões!) e a realidade nos mostra que o que guardamos é tão somente uma efêmera presença, um rastro, um projeto inexistente, é preciso encarar a falta que nos constitui.

A maior dor do Homem é ver essa falta “nua e crua”, é esse destapar da ferida que durante anos mantivemos escondida por curativos socialmente aceitos. É difícil para nós, seres incompletos que somos, desvelar nossa nudez perante um mundo que exige que sejamos cada vez mais completos, auto-suficientes, incrivelmente potentes!

É inimaginável a dor de abrir mão daquilo que não existiu nem jamais existiria, daquilo que, no entanto, adquiriu uma existência psíquica, embora todos os dados da realidade insistissem em nos mostrar que era efêmero!

Sei que falo num tom impessoal, quase que para me manter distante dessa dor e do processo de luto que ela implica....

Faço das minhas palavras, soltas ao vento para que quem quiser lê-las, esse luto, essa reconstrução de mim mesma, tão necessária quando vejo que o que eu era a um segundo atrás não existe mais, que me apeguei a uma ilusão de identidade, uma identidade de sonho, onde era mãe dos filhos que ainda não tinha, dona do lar que eu jamais constituiria.

Não busco sua compreensão caro leitor, busco apenas me encontrar nessa enxurrada de palavras que me vêm à cabeça agora, palavras necessárias que dizem da minha fragilidade, do meu desamparo infantil frente ao brinquedo que quebra, do amigo que vai embora, das inúmeras vindas e despedidas que a vida nos faz enfrentar. Não sou a loira feliz dos comerciais de cerveja, nem a digníssima senhora das margarinas Qualy que acorda cantando “Oh Happy day”. Mesmo assim sou feliz, não alegremente feliz, mas nesse momento sou tristemente feliz!

Feliz porque perdi e sabe-se lá o que ainda vou encontrar!

Feliz porque também a dor que dói de verdade pode ser felicidade!

Feliz porque ao perder o chão me sinto flutuando na imensa correnteza que é a vida!

 



Escrito por Ani às 12:06:22
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A menina e a nuvem

Certo dia uma rajada de vento soltou a menina no mundo...  desde então ela é sozinha. Nem por isso deixou de ter medo do escuro.

Toda noite antes de dormir ela chora, e sua noite se torna a mais negra do universo. E então ela morre algumas vezes antes do amanhecer.

A menina é um baú. Guarda em si brincadeira de roda, pé de jaca, bicicleta, beijo roubado, marmelo... Guarda também toda a tristeza do mundo – por isso a chamam de menina triste.

Com receio de que o mundo descobrisse sua tristeza, a menina resolveu construir um castelo de areia – no entanto, a cada lágrima sua, a areia, matéria fina, se desmanchava. Exposta em carne viva, a menina se sentia muito, muito feia. Ainda assim era bonita, afinal, o que seria das rosas sem seus espinhos?

Menina sonhava dia e noite, noite e dia e foi assim que se apaixonou pela nuvem. Viu príncipe encantado em cavalo alado, espada, castelo e até fadas! Mas a nuvem era só nuvem e não entendia sua brincadeira de criança. Como todas as outras nuvens estava ali só de passagem. A menina não sabia. Cismou com ela e chegou a construir asas para tentar alcançá-la. A cada tombo a menina media a distância entre o céu e a terra.Teimou em pedir para que a nuvem descesse, mas essa, com toda sua altitude, não quis ver de perto o chão: preferiu ficar ali no céu mesmo, pois deste modo podia olhar a menina e o mundo todo, e podia se apaixonar por todos os seres existentes.

Mas Menina, em sua pequenez infantil de olhos miúdos, só olhava a nuvem.

Foi então que chegou o dia que os ventos já haviam assoprado: a nuvem partiu. A menina continuou olhando pro céu. Estava escrito, mas mesmo assim a menina chorou.

Para a nuvem aquilo tudo era muito estranho. Não entendia os sentimentos humanos, e, dentre eles, a tristeza e o sofrimento eram os que mais a intrigavam. Inquiriu o choro da menina. Esta não pode responder, mas era certo que chorava por sentir-se só. Então a nuvem achou que o choro era chuva. Só que o choro não era chuva.

A partir desse dia, a menina chorava o dia inteiro, mesmo quando seus olhos se recusavam a contar essa verdade para o mundo.

Jurou esperar a nuvem voltar...

Disse que já ouvira falar do amor de um principezinho e uma flor...

Desenhou a nuvem em folha de papel que se desmanchou na água...

E continuou esperando, mas a nuvem, essa coisa da natureza, preferiu não surpreendê-la.

A menina disse pra si mesmo que ia morar num trem para seguir a nuvem ali de baixo...

E depois adormeceu.



Escrito por Ani às 20:27:54
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Tempo de mim mesma

Tic tac tic tac...

Freneticamente o coração se acelera e o sono se esvai.

Tum tum....

É madrugada,

Alguns dormem, outros sorriem em bares.

Há ainda os que tomam pílulas

E passam os dedos descontroladamente no controle remoto...

Eu respiro.

Fuunnndo.

O sono se foi e a hora não veio – o corpo remexe de um lado pro outro.

Meu pensamento incansável diz: hora do trabalho!

Acorda-me para lembrar do que eu jamais esqueceria!

Digo-lhe: acalme-se, a manhã não veio ainda, e quando vier, a turbulência do sol há de refrescar essas tuas idéias crepusculares!

Ele não ouve. E por que ouviria ?

Envolto em seus próprios pensamentos, como uma máquina de lavar, girando, girando infinitamente seu conteúdo na tentativa de limpá-lo...Porém sem poder esvaziá-lo.

Por que te preocupas tanto? Dentro de segundos, meses, anos, nem mais existirás! Que fiquem para o túmulo tuas aporrinhações!

Não posso mais comigo mesma!

Ora e por que não?

E lá podemos escolher a hora de nossas vidas?

A hora que não é dia nem noite, tampouco se conta nos relógios.

Aprenda de uma vez por todas: não existem escolhas, somente imperativos!

Faz o que te é possível!

Viver quando o ar decide entrar nas narinas...eis um dos maiores desafios do mundo.

 



Escrito por Ani às 09:11:14
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Uma aprendizagem ou como calar seu corpo em poucas doses ou quem é esse que em mim mora ou ?

 

Três horas da manhã... um pedido faz com que eu abra os olhos em plena madrugada...o pedido é meu mesmo... meu corpo ferve, os lábios secaram, isso já deve fazer um tempo, mas agora eles pedem água...meu corpo inteiro pede água, como se fosse uma grande boca sedenta...já não posso mais dormir apesar do sono e do peso que o calor provoca em mim...calor que é ao mesmo tempo frio, calafrio, que percorre em ondas meu corpo da cabeça aos pés....meu corpo quer falar... eu quero falar... mas quem sou eu?

O corpo não adia suas mensagens... não espera o melhor nem o pior momento para dar seu recado. O corpo é como o bebê, desprotegido, que chora quando sente vontade de mamar, que dorme quando sente sono, que não prorroga o sofrimento, que quer ser feliz... O corpo sou eu... Mas quem é esse eu, que também é eu, mas que não escuta, ou pelo menos não entende, aquilo que arde em si mesmo? "Quem é esse que em mim sente?". Início o diálogo, aquele entre eu e eu mesma, um dos mais importantes que pode existir ...

O que queres? O que quero? Por que já não entendo minhas próprias mensagens? Por que me surpreendo? Por que já não sinto como se sentisse?.... Sem resposta...Um grande vazio faz eco dentro de mim...

Quem é esse eu profundo, enigmático, que dá a vida assim, sem mais nem menos, sem explicação? É algo que existe antes de eu mesma existir? É o bem puro que foi corrompido por esses outros eus que brotaram na árvore como ervas daninhas? Ou é o mal, o perverso, que tenta ser sufocado a cada instante por esses guardiões da ordem e dos bons costumes? Ou nem um nem outro?

Eu falo, mas não me escuto....Pergunto, mas não respondo...Quem é esse que procuro? Ele realmente existe?

O calor é insuportável....resolvo lhe dar um fim, pelo menos por enquanto, para que possa voltar ao bom sono dos justos...Sei que não é agora que ele vai se calar. Em algum outro momento vai aparecer, no lugar em que eu menos quero, na hora mais imprecisa...é provável que eu não consiga lhe escutar, mais uma vez...Talvez, o que eu precise aprender é a não  perguntar, talvez o que ele queira seja o silêncio.

Sem piedade comigo mesma, abro de um golpe a água fria, e aplaco o fervor daquela noite...agora já posso dormir...

Mas ao acordar, algo estranho....é minha boca....está inchada....

Dessa vez, fecho os olhos....o vulcão de coisas indizíveis que existe dentro de mim transborda numa erupção sem sentido e sem palavras...angústia pura, desejo puro, sentimento puro...

Mais tarde o choro implacável do bebê desprotegido não se contém... Como quem nasce, inspiro o ar pela primeira vez.... e lavo a alma....Mais uma vez, poderei dormir em paz.



Escrito por Ani às 10:36:27
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There are places I'll remember....

 

 

 

Mais uma vez volto à nostalgia de dia de chuva, dia fechada em casa, dia de revirar coisas... Apesar de não achar que isso seja uma qualidade, sempre fui muito apegada ao passado, aos bons momentos, à história da minha vida. Nada melhor do que redescobrir coisas, ouvir histórias das quais você nem se lembrava ou aquelas que você nunca soube de verdade.

Agora tudo virou papel empoeirado, poses eternizadas em fotos, paisagens sem cheiro nem sabor. Claro que na memória sempre resta aquele rastro, aquele traço do cheiro, do calor, do sentimento. Mas nada será vivido de novo. Os bilhetes de escola, cujo conteúdo perdeu-se do contexto, não fazem mais sentido, mas ainda encantam como quem acaba de recebê-los. Histórias, tantas histórias das quais eu já tinha esquecido a existência e das quais jamais me recordarei por mais que puxe lá fundo nos meus arquivos...Nomes de pessoas que já não conheço...Sentimentos por pessoas que já não são sentidos...só sobrou aquele pedaço de papel meio rasgado, com escritas e desenhos, que além de provocarem algo que já não é possível nomear, soltam pó e provocam espirros.

É de certa forma triste ver que muitas daquelas promessas de amor ou amizade eternas se perderam por circunstâncias da vida.... Sim, é bonito ver que a vida caminhou, que pessoas novas surgiram, que nos tornamos mais maduros, que amamos de verdade....mas é inevitável não se encher de lágrimas quando se lê o papel, quando vemos que aquele amigo que acreditava-se eterno, hoje cruza com você em alguma esquina, e apesar do carinho que ainda resta em cada um, só encontramos sorrisos formais, apertos de mão e conversa furada. Como é possível passarmos tão friamente por pessoas com as quais trocamos as maiores confidências, grandes juras, tanto carinho...? Isso quando encontramos as pessoas, quando elas não se perdem na distância geográfica que impossibilita de vez essas casualidades.

Não estou sendo pessimista... se por um lado fico feliz de ter passado por tantos lugares, conhecido e amado tantas pessoas, mantido ao meu lado aquelas que a amizade e o amor jamais permitirão tal afastamento mesmo que já não se esteja tão perto... por outro me entristeço, mas serenamente, como quem chora choro de chuva, choro necessário, a saudade de uma vida que não consigo carregar com os braços que tenho, e que por mais que tenha me marcado -  e por isso jamais será perdida -  deve ser deixada em algum lugar, seja como semente, ou como filhote que soltamos na selva e vemos indo embora por entre as árvores.

                                                                      



Escrito por Ani às 19:12:30
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Pra não dizer que não falei das flores....

Eu realmente não falei das flores...porque não se fala das flores! Quem fala das flores profana seu mistério e jamais sente o seu perfume. Quem fala de flores entende-as (mesmo que pretensamente) enquanto eu ignoro de onde sai tamanha perfeição e cor.

Não falo das flores nem da chuva que agora cai...não falo.

Contemplo-as, silenciosamente. Só o silêncio fala das coisas sobre as qual não sabemos, e nem podemos falar....

O Girassol de Van Gogh fala mais sobre ele do que qualquer biografia.

Dentro de mim também vive um vaso de flores...algumas delas são espinhentas, outras bem coloridas e infantis. Tenho um certo receio de me aproximar e de me cortar. Mas as coisas só se aprendem com o gosto das coisas.

Esse jardim, não conheço ainda, apesar de já sentí-lo e intuí-lo.

 

 



Escrito por Ani às 11:40:57
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Dúvida existencial.... ou melhor, identitária....

 * Quem sou eu, os segredos que conto ou aqueles que escondo?????

 

 



Escrito por Ani às 15:29:14
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Ano-novo

 

 

Noite quente de verão.

O céu escuro e estrelado aguarda o presente que vem dos homens -

As explosões que celebram algo que ele não sabe bem o que é.

A paz celeste é substituída por uma súbita ansiedade estelar.

Em mim, uma vibração diferente

Transforma-se em lágrima que é quase engolida....

A lua, os morros, o cristo, todos me encaram, transformando a minha solidão anônima

Em solidão do mundo....

Acende-se a árvore, iniciam-se os fogos, e uma brisa refrescante e suave me envolve

Querendo reproduzir seus abraços.

E os fogos explodem,

Em milhões de beijos seus

Que se desfazem no ar.

Um breve aperto, uma parada súbita,

Mas o coração continua a pulsar

E a proximidade do reencontro faz com que ele bata mais e mais rápido

Tum Tum Tum Tum

Acabou o espetáculo .

O céu volta à sua calma e tranqüila madrugada.

A brisa cessa.

Abro um sorriso porque sei que cada minuto que passa

É um a menos longe de ti!

 



Escrito por Ani às 11:34:32
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Aujourd'hui je me suis réveillée très tard......

Acordei com dor nas pernas....bem, eu acordo todos os dias, mas são raras as vezes em que minhas pernas acordam e me dão "bom dia" antes que eu retome à consciência. Às vezes nos esquecemos do nosso corpo e o tratamos como se ele fosse um mero coadjuvante em nossas vidas. Eu gosto quando meu corpo dói, ou quando, logo depois de sair de uma posição difícil de meditação, sinto minhas pernas formigarem... É como se elas estivessem acordando depois de um sono longo e profundo. É como se eu tivesse passado a vida inteira sem notar aquela parte minha, e pela primeira vez pudesse sentir, realmente, a minha existência material nesse mundo.

 Obs (Carlos). Acordei e você não estava do meu lado, porém estava.... Obrigada por mais esse dia... Obrigada pelos 2 anos....Obrigada por essa vida e pelas outras também! Te amo!



Escrito por Ani às 22:45:40
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BAÚ

É tão estranha a sensação de revirar folhas de diários antigos....é como se houvesse uma parte de sua vida transformada em ficção, algo tão distante do que foi vivido, e ao mesmo tempo tão perto das sensações revividas. Quando leio minhas memórias, fico procurando em mim aquela parte que viveu todas as emoções ali relatadas...sempre que as encontro, estão distorcidas, como que embaçadas pelo tempo que já se passou, ou perturbadas por todas as sensações do presente... Como foi mesmo aquele beijo? E fecho os olhos, e tento a todo custo re-sentí-lo, mas só o que sinto é uma vaga sensação de não conseguir jamais alcança-lo....

 

De que servem as memórias, se tudo o que causam são angústias de coisas que jamais teremos de volta? Nunca poderemos nos relembrar de tudo o que vivemos, no sentido de reviver todos os momentos que mexeram com a gente... De que serve tudo isso? Às vezes tenho vontade de queimar todas as folhas de meus diários, para que, de uma vez por todas, possa me livrar dessa bagagem de recordações que tenho que carregar ao longo da vida. Por outro lado, não posso me desfazer desses momentos, e quero poder lê-los, e tentar revive-los, com a distância e nostalgia que só um diário pode permitir.

 

Gostaria de ser mais leve e mais desapegada das coisas do passado... Mas é impossível ignorar todas as marcas que ficaram de todos os momentos especiais que vivi –cada qual a sua maneira -... é como se eles fossem os responsáveis por tudo o que sinto e amo no presente.

Escrito por Ani às 12:28:19
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O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio. 

                                                                                               Alberto Caeiro



Escrito por Ani às 22:42:12
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Fragmentos sobre o desapego,vida, sabedoria....

" Se você perseguir o mundo, o mundo fugirá de você. Se você fugir do mundo, ele o perseguirá."(Hari Dass)

" São seus hábitos mentais cotidianos, mais do que suas inspirações momentâneas ou idéias brilhantes que controlam sua vida." (Yogananda, 1968b)

"Quando a flor se desenvolve em fruto, as pétalas desaparecem por si mesmas..." (Ramakrishna, 1965, p.139)

"Você não pode ser livre a menos que tenha queimado as sementes de suas ações passadas no fogo da sabedoria e da meditação."(Yogananda, 1968b)

"Antes de agir você tem liberdade mas, depois de agir, o efeito da ação o seguirá quer você queira ou não. Esta é a lei do Carma. Você é um agente livre mas, quando realiza certa ação, você colherá os resultados dela." (Yogananda, 1968b)

"A mente é como um elástico milagroso que pode se estender ao infinito, sem se romper."(Yogananda, 1968b)

Essas frase foram retiradas de um livro de teorias da personalidade (Fadiman & Frager), que, incrivelmente, considera as noções de personalidade das filosofias orientais. Elas refletem muito do que eu penso das coisas, muito dos meus ideais, muito do caminho que eu pretendo seguir a cada dia.

 

 

 



Escrito por Ani às 12:00:21
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O que é preciso entender...

                                                                                   

                                                                       

Acho que uma pergunta cabível em nossas vidas é “O que precisamos entender?”. Sem essa pergunta, nossos esforços podem estar sendo desperdiçados  em algo inútil, que não levará a nenhum lugar além do entendimento banal e sem propósito.

 

Venho me perguntando sem cessar: Quais perguntas devo fazer? Fazer perguntas é uma tarefa dificílima, muito mais difícil que respondê-las.  Com uma boa pergunta já temos meio caminho andado para chegar a uma boa resposta. “Quais perguntas devo fazer?” é uma boa pergunta, donde suponho, nos encaminhará  a uma boa resposta....

 

É claro que também pode não ser uma boa pergunta.... O julgamento é meu nesse caso, mas alguém poderia me indagar com uma outra pergunta: “Por que fazer perguntas?”

 

Como essa pergunta já foi respondida -  quem pergunta “Por que fazer perguntas?” já está fazendo uma pergunta– prefiro prosseguir na minha busca pelas perguntas essenciais. Quem se pergunta sobre as perguntas essenciais já tem uma primeira resposta: a primeira pergunta que se faz é a essencial, e a primeira é “o que devo perguntar ?”.

 

As perguntas não existem! Quando as perguntamos, já são respostas!

 

Essa semana formulei outra pergunta para mim, uma pergunta que resolve todos os  conflitos que possam existir na minha vida (exagero? Ainda não sei, só saberei quando tiver a resposta)....”Como implodir o ego?”

 

Sei que não é uma pergunta simples, ainda precisa ser desmembrada em várias perguntas, e só quando todas as perguntas essenciais dessa grande pergunta forem encontradas terei a resposta.

 

A primeira que eu acho plausível é “o que é o ego?”   .....  Ego é esse que vos escreve, essa rocha incrustada no meio da nossa consciência e também do inconsciente, que vai sendo construída ao longo da nossa vida.... A cada ano que passa colocamos mais uma pedrinha e o tornamos mais e mais difícil de ser destruído. Para mim é a fonte de todos os nossos sofrimentos, pois é o que tentamos defender a ferro e fogo durante um conflito, seja ele gerado por nós mesmos ou por outras pessoas.

 

Ninguém “de fora” pode destruir o ego....só nós mesmos, implodindo-o. Mas essa implosão tem que se dar devagar, temos que usar o próprio ego a nosso favor para destruí-lo (como faço agora), senão ele perceberá a ameaça, se ela for demasiado grande, e arrumará mecanismos de defesa cada vez mais fortes......

 

Depois continuo....ou não.  

Escrito por Ani às 12:56:26
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